segunda-feira, 16 de março de 2015

Mar de rosas


A minha mãe já me perguntou várias vezes se não estou arrependida de ter vindo. E a minha resposta é e será sempre a mesma até ao final do período de Erasmus: não.
Na verdade não posso dizer que não tenha tido os meus momentos de arrependimento. Momentos em que as saudades de casa, da minha família e dos meus amigos se sobrepuseram ao efeito da novidade que Itália me proporcionou desde o início.
Isto não é um mar de rosas, como diria a minha mãe. 

Por outro lado, o Erasmus proporcionou-me experiências que eu nunca teria oportunidade de vivenciar se não fosse neste contexto. Conheci pessoas de todos os cantos de Portugal e do mundo, melhorei o meu inglês que eu considerava praticamente morto desde o secundário, e fui obrigada a praticar o italiano e a tentar perceber o espanhol, confiei a 100% em pessoas que conhecia há pouco mais de 2 dias só por serem portugueses e por estarem na mesma situação que eu, dei valor aos serviços administrativos de Portugal e a tudo o que tenha a ver com burocracias no  nosso país, e descobri o prazer de viajar.

Portanto, e apesar de não ser o tal mar de rosas, o saldo ainda não é negativo. Antes de virmos para Itália, tivemos uma última reunião em que nos disseram que entre o primeiro e o segundo mês teríamos vontade de voltar para casa. Era a altura em que começavam a ser mais fortes as saudades, diminuíam as festas de recepção aos Erasmus e começavam a exigir mais de nós na faculdade de acolhimento. E aí, eles estariam a contar com as nossas chamadas a pedir para desistir, como acontecia com muitos de nós todos os anos.
Ora, eu ainda não tive nenhuma espécie de impulso de ligar para os SRI da minha universidade em Portugal. Acho que não estou mal.

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