quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Amores que (não) duram para sempre


Eu era a adolescente mais insensível que podia haver. E era demasiado racional. Mas mesmo assim, consegui ter um namorado que era capaz de tudo por mim. E por incrível que pareça, ele foi o rapaz mais sensível que eu conheci em toda a minha vida. Nunca tomava decisões com base na razão, porque aquilo que ele sentia é que estava em primeiro lugar, e era esse o motor para todas as decisões que ele tomava.
De certa forma, nós éramos o complemento um do outro. Embora partilhássemos alguns traços de personalidade como o facto de sermos mais introvertidos, no fundo éramos o oposto um do outro. E isso funcionou durante algum tempo. Funcionou tão bem! 
Mas depois chegou o momento em que eu tive de escolher o que queria fazer para o resto da vida. A entrada para a faculdade. Por um lado estava ele, estavam os meus pais, a minha família, os meus amigos, e uma série de cursos nos quais eu poderia entrar que não pedissem uma média tão alta. Mas por outro lado estava eu, estavam os meus sonhos, estava o meu futuro. E eu mesmo amando aquele rapaz com todas as minhas forças não podia desistir de quem eu era e de quem eu queria vir a ser por ele, porque eu ía culpá-lo disso mais tarde. Lá estava o meu lado racional a funcionar.
A verdade é que mesmo tendo feito a minha escolha deixando-o para segundo plano, ele continuou lá para mim, disposto a tudo para continuarmos juntos. E as coisas resultaram durante algum tempo. Até que a distância passou a ser mais do que aquilo que conseguíamos suportar. Já não nos chegava estarmos juntos de 15 em 15 dias ou só umas horas por semana. Eu precisava de mais, precisava de alguém que estivesse lá a tempo inteiro. Alguém a quem não precisasse de ligar para dizer que não estava bem, alguém que estivesse à minha espera quando chegasse das aulas para perceber que eu precisava de um abraço. E ele precisava de alguém que vivesse para ele, que não tivesse amigos próximos do sexo masculino e que não lhe desse motivos para ter ciúmes.
Precisávamos os dois de amadurecer. E a minha decisão de acabar aquela relação foi o que mais me custou naquele ano mas para bem da minha saúde mental tive de o fazer.
Ele esteve literalmente 2 anos à minha espera. Ele insistiu, suplicou. Disse-me que eu um dia ainda havia de voltar a ir atrás dele.
E eu fui - 3 anos depois de ter acabado com ele voltei. Mas ele já  tinha outra pessoa.
Podia ter desistido  por saber que ele estava feliz com a nova namorada, mas eu não vi ou não quis ver felicidade na nova vida dele. Bastava que eu dissesse 2 ou 3 coisas para que ele ficasse balançado entre mim e ela, e eu vi isso como um sinal de esperança para o ter de volta. Chamem-lhe egoísmo da minha parte, mas eu 3 anos depois cansei-me de ser racional e soube que se não lutasse por ele naquele momento ía arrepender-me o resto da vida.
A verdade é que ele ficou com ela. Eu voltei como ele disse que eu voltava, só não sabia que já ía ser tarde demais.
Sabem o mais estúpido? É que ele até à última disse que não se imaginava com ela daqui a uns anos. Mas foi incapaz de deixar a relação estável e a segurança que ela lhe transmite por mim, apesar de não me ter esquecido. Depois de 3  anos, os nossos traços mais profundos de personalidade alteraram-se, e ele passou a ser o racional e eu a emotiva. Ele tomou a decisão da vida dele com base na razão.
Eu continuo a amá-lo como quando tinha 18 anos. Há um espaço que lhe vai pertencer sempre, mesmo que apareça outra pessoa para o tentar ocupar.

É um post longo, eu sei, mas precisava de escrever esta história.

14 comentários:

FME disse...

Fogo que história... Espero que venham a ter o vosso happy ending :)

Andrea disse...

Que história !
As coisa por vezes não estão destinadas a acontecer.

Isa Sá disse...

É pena que não dure para sempre...mas quem sabem ainda tem volta!

Isabel Sá
http://brilhos-da-moda.blogspot.pt

Sofia Ramos disse...

Que história,
mas nunca se sabe, pode não ser o fim,
muita coisa ainda pode acontecer. :)
Beijinhos*

Owlonmars disse...

Adorei! As vezes o passado não tem melhor sítio para ficar se não no passado mesmo!

Rita Dias disse...

Gostei imenso da tua história, faz-me lembrar um pouco a minha! Também tinha um namorado de longa data com a qual acabei por terminar, devido a ter ido estudar para uma faculdade de outra cidade e a distância acabou por nos separar. Mas a realidade é que continuávamos a falar e felizmente tivemos um final diferente do teu, porque agora estamos juntos :) mas não percas a esperança, nunca se sabe o que pode acontecer...as reviravoltas que a vida dá! Gostei do teu post mega pessoal..
Já estou a seguir-te pelo blog<3
Beijinhos*

http://nuancesbyritadias.blogspot.pt/

Maria do Mundo disse...

Não sei que idade tens. Eu tenho 42 e, por isso, sem querer parecer bota de elástico, tenho a dizer-te que, como tu já deves saber, a vida dá muitas voltas. Eu tive um namorado durante quase 11 anos e no fim ele arranjou outra e hoje eu vivo feliz com o meu marido, que conheci depois. Mas, tenho uma amiga que tem uma história parecida com a tua e que tanto insistiu que acabou por ganhar. Ao fim de 6 anos ele deixou a outra e casou com ela. Se achas que ele balança não desistas. Se é por uma questão de comodismo que ele está coma outra, faz-lhe ver o que está a perder. Ás vezes temos de ser mesmo muito persistentes.

Maria disse...

não tens nada de que te arrepender então :) ainda lutaste mas já não foste a tempo.

Catarina disse...

Gostei muito da tua história :)

esperto que nem um alho disse...

Se calhar pensou que se um dia trocaste o amor pela estabilidade, não havia garantia de que não voltasse a acontecer o mesmo... :/

VerdezOlhos disse...

Ele decidiu assim porque provavelmente já tinha sofrido muito com o fim da vossa relação. Quem, por norma, ouve o coração em vez da razão acaba por se expor muito mais do que quem age racionalmente. Por isso, muitas vezes, sofre muito intensamente quando alguma coisa o/a magoa. Por essa razão acaba por se "proteger" ou defender alterando a sua maneira de estar na vida. Não age tanto pelo que lhe diz o coração e muda para a razão porque é mais "seguro", porque "dói" menos. Mas só dói menos porque, na minha opinião, ao agirmos segundo a razão, damo-nos menos, sentimos menos, pelo menos não sentimos tão intensamente.
Lamento que estejas a passar uma fase triste. Desejo que tudo corra pelo melhor. Beijinhos

Megan Smith disse...

Aconteceu-me algo tão idêntico

Megan Smith disse...

Aconteceu-me algo tão idêntico

Ísis disse...

O que tiver de acontecer, acontece.