segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Esta idade do armário que não dá com nada


Há uns tempos descobri que o meu irmão tinha bebido álcool no 16º aniversário dele. Pensei eu que tinha sido a primeira vez. Dei-lhe um sermão que durou até chegarmos a casa, expliquei-lhe as consequências que o álcool poderia ter no caso dele e o assunto ficou por ali.
Depois descobri que não só não tinha sido a primeira vez como até o fazia com alguma regularidade.
Ok, tem 16 anos, bebe umas cervejas de vez em quando quando está com os amigos, nada demais. Não fosse ele ser diabético. Não fosse ele correr um risco enorme de ter uma hipoglicémia sem ter sequer os amigos mais próximos preparados para lidar com isso.
Agora descobri que ele fuma. E o tabaco e a diabetes resultam numa combinação muito engraçada que aumenta exponencialmente a possibilidade de um ataque cardíaco ou de um AVC. Para além de descontrolar os níveis de açúcar no sangue.
E já nem falo dos maus hábitos alimentares dele quando não está em casa.

Eu podia falar com os meus pais acerca disto. Mas eles não sabem lidar com esta situação. Acho que massacrá-lo até ao limite, colocá-lo de castigo e ameaçar mudá-lo de escola não vão fazer com que deixe de ser um adolescente com vontade de experimentar tudo o que seja proibido para ser o maior do grupo dele. 
Por outro lado, não quero trair a confiança dele. Podem achar que nestas circunstâncias não é uma coisa importante, mas pelo menos enquanto ele confiar em mim, eu posso controlá-lo de alguma forma. Posso dar-lhe informação, posso alertá-lo. Não o posso castigar, mas posso chamá-lo à razão mesmo que isso leve algum tempo. 

A diabetes e a adolescência não são uma boa combinação.
Era tudo tão mais fácil quando ele era pequenino!

11 comentários:

esperto que nem um alho disse...

As doenças crónicas são como aquelas dietas muito rigorosas. Ao fim de algum tempo estamos tão cansados, tão fartos de privações, que há momentos em que nos apetece mandar lixar tudo.
E quando a tudo isso se junta a adolescência, temos o caldo entornado. :/

FME disse...

Realmente é uma situação complicada. Fazem-lhe super mal essas brincadeiras, mas na idade em que ele está deve ser mesmo muito difícil lidar com a pressão de grupo... :|

Catarina disse...

Tens de ter calma com ele e vais ver que ele começa a ter a noção que essas coisas lhe fazem mal...

♥Cat disse...

É uma idade terrível... pro muito que o alertes é ele que ai ter de tomar consciência do mal que está a fazer a ele próprio. É que nessa idade, contrariar e desobedecer é uma grande tentação!

Sofia Ramos disse...

Realmente é a idade que não dá com nada, mas só ele próprio é que vai tomar consciência do que é certo ou errado, mas não deixes de o repreender.

Rita Dias disse...

Pois enquanto era pequeno sempre conseguiam controlar tudo o que ele comia ou fazia..agora provavelmente vai ser mais complicado, mas tem de vir dele..tem de ser ele a tomar consciência do risco que corre e do que faz ao próprio corpo. =/
Segui o teu blog<3 faz uma visita ao meu e espero que gostes ;)
http://nuancesbyritadias.blogspot.pt/

Beijinhos*

TheNotSoGirlyGirl disse...

Opa que cena :/
conheci um caso parecido, e o que os pais da minha amiga fizeram foi falaram com as duas raparigas com quem ela estava sempre para as "preparar" na eventualidade de acontecer alguma coisa (sem a miuda saber) -- explicaram o que elas deviam fazer e deram-lhes inclusive uma coisinha de insulina para elas levarem quando fossem sair a noite. Felizmente nunca aconteceu nada..

Olha gostei muito do teu blog. Estou a seguir-te! Dá um saltinho no meu e segue-me também, se quieres! beijinhos

Inês disse...

Eu chamo a esta fase a "Idade de Bater com a Cabeça na Parede". Por mais que queiramos protegê-los de noções que são óbvias para nós ou por mais que queiramos que eles ganhem noção do que fazem, esquecemo-nos que já estamos 3 níveis do jogo à frente, já sabemos o que acontece, eles não têm essa percepção tão apurada. Por muito que custe, especialmente porque aqui estamos a falar de saúde e não de meras reivindicações de adolescente, temos de deixar que eles batam com a cabeça na parede. Só assim aprendem a lição. E quando ele contar essas coisas para ti e quiseres que ele realmente preste atenção à mensagem que lhe queres passar, diz-lhe: "Tudo o que já pensaste fazer eu já vi ou fiz duas vezes. Não é à toa que sou mais velha e não é para me armar em panfleto de saúde que te digo as coisas que digo"

K disse...

É uma idade complicado e entendo o que queres dizer! Mas ele vai ter consciência dentro de uns tempos. Essa fase passa, vais ver. E aconselha-o sempre porque, parecendo que não, ele ouve-te mais rápido a ti do que aos pais. Tomo a minha situação como exemplo.
Um beijinho

A Lisboeta disse...

Sabes que quando somos adolescentes não temos consciência de nada mesmo... faz parte, apesar de haver um limite, claro. Não é de todo uma idade fácil...

Maria do Mundo disse...

Penso que tomas a decisão certa em tentar a ser tu a influência-lo. É mais fácil, nessas idades, aceitar ideias vindo de alguém que tem uma idade mais parecida com a nossa. Desejo-te boa sorte.